sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Conselhos de graça

Acordei com um ar sobrenatural de conselheiro.

Quanto mais eu escrevo, mais confusão eu arrumo. E olhe que eu nunca cometi o erro de falar sobre religião, futebol e política. Mas note que os fenômenos religioso, futebolístico e o político são assuntos muito mais interessantes que a "Igreja Pentecostal Loucuras do meu Deus", o penteado de Carlinhos Bala e a fazenda de Renan, respectivamente. Conversar informalmente sobre esses últimos não é problema. O problema surge quando leva-se a sério esse tipo de assunto.

Se apenas a ralé cósmica levasse a sério, tudo bem. Mas há profissionais nas áreas que eu citei que perdem muito tempo discutindo tais temas com toda a verborragia lusitana que têm direito. Por exemplo, os embates infinitos sobre a ética do presidente do senado, permeados por aquela cordialidade invejável de: “Vossa Excelência é uma lapa de escroto”. Isso é política ? Ou é o chorume do fenômeno político ? E discutir sobre a eficácia higiênica do Sabonete Do Descarrego, feito com água sagrada e capaz de tirar os encostos do corpo do sujeito ? Ok, foi exagerado. Mas isso é discutir religião ? Ou é um primo distante do fenômeno religioso ? Até comentarista de futebol fala besteira... Perceba o nível de contaminação intelectual das pesquisas. Pesquisas ?! Sim, são as pesquisas deles.

Imagine o mundo como um grande departamento de física, só que com 50% de mulheres. Os que se dizem profissionais e produzem em alguma área podem ser vistos como pesquisadores. Tudo que eles “acham”, os conceitos que eles formulam, os “estudos” que eles fazem, os dados que eles obtêm, os números que eles conseguem: tudo isso forma a pesquisa. Se eles passam muito tempo discutindo besteira, a pesquisa deles é uma besteira. No entanto, sempre existe alguém que estuda a mesma coisa que os “bestas” de uma forma mais elegante. É uma questão de escolha... ficar do lado legal ou do lado remoso. Vale pra todo mundo, pra todas as áreas. É o conselho do dia:

Enobreça sua pesquisa, seja lá o que você estuda.

Discuta idéias e não vida de pessoas. Discuta a equação diferencial e não se perca numa solução particular. Discuta o fenômeno do Direito e não um artigo isolado, criado "aleatoriamente". Não olhe as notícias muito de perto, pois quase tudo que aparenta ser interessante é apenas ruído. Despreze o lixo. Seja crítico e trate os dados quando passar um olhar sobre um jornaleco de conteúdo nulo. Exija argumentos de qualidade. Seja tão chato quanto um referee. Saiba pelo menos o jeitão de todas as coisas. Seja físico par excellence.

Se você estuda cocô de boi, faça um modelo matemático para os diversos formatos, empacotamento, consistência e densidade do cocô de boi. Ainda que os primeiros modelos comecem com cocôs esféricos, lisos e sem atrito, é um primeiro passo. Busque referência sobre o impacto da alimentação na composição química do cocô. Será que as condiçoes emocionais do boi influenciam os estados acessíveis do cocô ? Faça o teste: coloque seu boi pra fazer cocô ouvindo Mozart numa planície verdejante e compare com o cocô do mesmo boi depois de passar o dia pegando CDU-Caxangá na véspera do relatório do Pibic. Não importa o que você estuda, o que faz de você um bom profissional é sua postura. Quer ser o rei do cocô ? Quer ganhar o Nobel do cocô ? Desse jeito ? Tem que se aprumar! E mais ...

Aos gramáticos "reclameiros": abracem causas mais louváveis que corrigir letras de Roberto Carlos e blogs de desocupados.

Aos caras que fazem: continuem assim.

Aos alunos de iniciação: sejam felizes, pois dias piores virão.

Aos licenciandos: levem água, porque a copa fecha à noite.

Ah... e não percam o Colóquio Jr. da próxima terça =)

Que jogo, Brasil.

3 comentários:

Henrique disse...

os modelos matemáticos ainda são incapazes de explicar tudo, e na ausência deles talvez seja preciso tentar explicar as coisas de uma forma "shit".

é preciso saber como adquirimos o conhecimento... e se é necessário mesmo a distinção que existe hoje entre ciências naturais e ciências culturais.

outra coisa, a lingua usada de uma maneira correta tem sua utilidade e talvez seja necessário seguir sua lógica.

me parece que o conhecimento humano todo tá organizado através da linguagem, se começa a pensar através da linguagem.

fuiiii estudar mais !

Fábio Novaes disse...

Eu acho que os conselhos de Domingos estão certíssimos. Ele simplesmente quis dizer: Não seja medíocre. Dê o seu máximo em qualquer empreitada na sua vida. A história está cheia de exemplos de homens que revolucionaram simplesmente por mudar o paradigma de coisas aparentemente inúteis. O cocô de boi pode ser uma delas. Se você tem um objetivo, agarre-se a ele e simplesmente faça. A vida desenha-se com atos, não só com pensamentos.

Quanto ao lixo que nos cerca, basta navegar alguns segundos na internet para ver que informação não significa conhecimento. É preciso saber filtrar as besteiras predominantes.

Parabéns ao Domingos pelo texto!

Eliasibe Luis disse...

"Se conselho fosse bom era vendido". Eu sempre achei esse ditado sem sentido.

E o que dizer das discussões ditas "alheias"? "Tais como" religião, futebol e política que dizem: "não se discute".
Discutir tais assuntos é proveitoso?
Eu digo sim, desde que se tenha uma relação (ligação) com o tema e que se acredite que ele trará alguma mudança (benefício) pra outrem. Considerando isso, na verdade, não é muita coisa que sobra.
Mas, se tu achas que discutir sobre o penteado de cabelo de Carlinhos Bala é proveitoso e benigno, que o faça com propriedade, com nobreza.

Nos vemos no colóquio da terça, às 17h!

Ah! Conselho só é bom se for de graça!

O caminho do insensato é reto aos seus próprios olhos, mas o que dá ouvidos ao conselho é sábio. Provérbios 12:15