domingo, 3 de fevereiro de 2008

Reciclagem - Um dever de todos

Como alguns amigos meus sabem, eu não sou muito fã de carnaval. É uma manifestação cultural muito bonita, de certa forma saudável e, digamos, com resultados profusamente replicantes (a taxa de natalidade provavelmente aumenta no pós-carnaval). Bem divertido ver pela TV, mas multidão não é comigo. Dadas estas condições de contorno que me impõem, atinou-me fazer uma pequena faxina no meu quarto. Ao fim da arrumação dos meus CD's, restou-me uma pilha de 5 cm de mídias que eu resolvi jogar fora. Súbito, surgiu a dúvida: será que CD's são materiais recicláveis? Este tipo de questão tem recentemente chamado-me a atenção em vista da disseminação do conceito "aquecimento global" e do aparentemente descorrelacionado surgimento de latões de reciclagem próximos a minha casa e na UFPE, além das singelas caixas de papelão portadoras de ilustríssimos erros de cálculo e rascunhos provenientes do nosso Departamento de Física da UFPE. Obviamente, sendo eu filho da globalização, fui procurar no grande oráculo dos nossos tempos, a chamada internet, a resposta para esta questão inerente e fundamental. Dito e feito, CD's são recicláveis. E com resultados espantosamente eficientes! De acordo com a Optical Storage Technology Association (OSTA):

cada tonelada de CD-R que é reciclado podem ser recuperados 984 Kg de plástico de policarbonato, 113 gramas de tintura, 1,316 Kg de ouro e 15 Kg de revestimento e material impresso. O policarbonato pode ser usado para moldar produtos reciclados e o ouro pode ser refinado em um processador de ouro".

Nesta minha busca, descobri que o Brasil não dispõe do serviço de reciclagem de mídias como o CD. Triste, mas esperado. O Brasil não cuida direito nem da Amazônia, quanto mais dos pobres CD's. Estes são humildemente chamados de tecnolixo somente pelos irmãos americanos, estes que poluem tanto que chegam até a se preocupar. Lá o percentual da população que produz tecnolixo é maior que os cerca de 17% da população brasileira que tem computador. Até mesmo nosso lixo é periférico! Pois é, acho que por enquanto vou manter meus velhos CD's guardados... O pior é saber que menos de 30% das mídias jogadas fora nos países desenvolvidos são recicladas. Isto é preocupante justamente nestes tempos nefastos da era da informação nos quais os CD's podem ser facilmente gravados e copiosamente descartados... Portanto, caros amigos, pensem bem quando forem gravar algum CD, seja ele de dados ou de música, se vale mesmo a pena. Assim como devemos nos preocupar com o que imprimimos e escrevemos nos nossos preciosos papéis (tenhamos pena de nossas árvores...), também devemos nos preocupar com o futuro das nossas mídias. Mesmo os CD-RW têm um limite de cerca de 1000 regravações, portanto, tenhamos parcimônia. Além disso há aqueles que vivem a comprar ou gravar DVD's piratas com filmes que só irão assistir uma vez na vida. Assim como nos preocupamos em filtrar as informações e descartar dados inúteis em nossas mentes, acredito que seja salutar estendermos este tratamento igualmente aos nossos dispositivos de armazenamento não-orgânicos.

Devemos ampliar a reciclagem em vários sentidos de nossas vidas - tanto a mental como das propriedades físicas. Reciclagem é o tipo de coisa que é útil não somente ao indivíduo, e sim à comunidade como um todo. Nestes nossos tempos de excesso de informação e produção em massa, a mera utilidade deste ato passa a ser um dever cívico e, destarte, global como tudo o mais neste atravancado mundinho. Assim como podemos acelerar partículas a energias próxima a 1 Tev e explodir bombas nucleares, podemos muito bem chegar ao absurdo de tornarmos a nossa vida na Terra insustentável. Tomando com pressusto que está na essência de todo ser vivo lutar pela sua permanência, é indispensável pensarmos sobre o fator reciclagem. Portanto, peço a todos que lembrem-se sempre das "caixas mágicas que engolem papel" do DF. É o ato mínimo que aos poucos torna-se muito. Lembrem-se também dos pobres latões esfomeados por lixo que encontram-se próximos da editora da UFPE (aceitam metal, vidro, papel e plástico) e das novíssimas lixeiras instaladas na saída da biblioteca do CCEN. Se possível, promova a coleta seletiva na sua casa! Na minha não deu certo por questões paternas... Mas de vem em quando eu tomo a atitude de selecionar o meu lixo. Dias como o de hoje em que acordei com espírito empreendedor.

Aproveito também o ensejo para alertar aos amigos do DA e de todo DF para um tipo de lixo que me deixa agoniado de ver aos montes nos lixeiros do DF: os copos de plástico dos bebedouros. Todos os dias compra-se copos para serem utilizados apenas uma vez por cada pessoa, atolando os lixos de copos que chegam a transbordar da lata no final do dia. O DA poderia propor ao chefe do departamento que os funcionários colocassem um lixeiro apropriado para os copos (talvez um lixo só para plásticos), aproveitando, assim, a "moda" lançada pelas caixas coletoras de papéis. Outra solução, a qual eu mesmo tento seguir, é a de levarmos sempre uma garrafa de plástico com água de casa a qual podemos reabastecer nos filtros. Assim, economizamos copos e um pouco da água dos garrafões do DF. Enfim, está aí a proposta. Mas do que uma promessa, espero que possamos fazer dessas ações reguladoras um hábito.



Um comentário:

Eliasibe Luis disse...

Falar de reciclagem sempre vale a pena. Afinal o que está em jogo é a nossa vida, nosso mundo, nossos filhos e o mundo que ficará para eles. A consciência é necessária.

O texto tá muito legal. Além de trazer as informações de da reciclagem dos discos compactos ele está cheio de palavras não comuns. Como profusamente e destarte. Muito bom, muito bom!
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