terça-feira, 21 de outubro de 2008

E como será?

Heita!!!! Acabou-se tudo!!!

Calma, tudo não...
Agora que todos que colaboram estão, de uma forma ou outra, desvinculados da graduação em física lá da UFPE, acho que esquecemos de postar, de escrever que existe algo depois da luzinha branca no fim do túnel.
Bem, que drama horrível! Mas e agora, meu pai? Bem, agora acho que talvez possamos postar mais ainda sobre o novo mundo de possibilidades que temos em vista, maior, ao menos, que aquele que surgia meio fosco no horizonte da iniciação científica...
Muito bem, o tempo é menor (ou não...) e você tem mais obrigações (ou inventa mais o que fazer), mas o importante é que a divulgação científica do blog (uau!) foi embora... Eu queria que voltássemos à ativa... Mas receio cair naquela velha conversa dos blogs antigos que vc entra lá e sempre tem alguém dizendo que em breve o blog estará renovado.
Mas é assim mesmo. Resultado da voluntariedade.

Abraço a todos e boa net!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Discurso de formatura, Bacharelado em Física 2008.1, por Tiago Souza





"Boa noite, senhoras e senhores aqui presentes, integrantes da mesa.

Hoje, nesta tribuna, eu tenho uma tarefa bastante difícil de ser cumprida: agradecer a todos os que contribuíram para essa conquista, fazer um honesto “mea culpa”, entre outras coisas, em menos de cinco minutos, que é o tempo regulamentar. Tentarei fortemente acabar antes que a musiquinha comece a tocar.

Iniciarei agradecendo aos amigos que estiveram presentes em todos os momentos da nossa vida, nos prestigiando e dando apoio sempre que necessário. Não poderia agradecer o suficiente pelo carinho de todos vocês. Esta é também a ocasião perfeita para pedir desculpas e também dar uma boa justificativa pela nossa ausência nos últimos anos. O curso de Física exige muita dedicação de nossa parte, estamos sendo sempre testados, e precisamos sempre estar muito acima das expectativas, que não são nem um pouco baixas – como prova, existem inúmeras fotos de noites viradas, em claro, estudando para as disciplinas. Mas como hoje vocês podem ver claramente, nós fizemos valer a pena todo esse tempo que estivemos distantes. Agradeço em nome de todos pela compreensão, pelo carinho, e por nunca ter nos deixado de lado, mesmo com nossa incompreensível ausência.

À minha turma original, sinto que hoje vocês não estejam em minha companhia, depois de todos os momentos juntos que tivemos. Mas não há o que temer: em seis meses vocês estarão aqui onde estou hoje, e eu estarei aí, batendo palmas e vibrando com seu sucesso. E não se iludam, seis meses passam voando. Saibam que vocês me proporcionaram momentos inesquecíveis, e serei eternamente grato por isso.

Aos amigos que comigo se formam hoje, digo que a princípio fiquei intimidado por não me formar com a minha turma original – até me dar conta que vocês naturalmente se tornaram uma grande parte de MINHA turma ao longo do tempo. Quem de vocês não se lembra de “Introdução à Óptica”, onde distante de boa parte da minha turma original, dividi as minhas noites em claro com vocês? Ou de “Laboratório de Física Moderna”, onde cada vez que um experimento dava errado – o que acontecia constantemente – e alguém tinha que ficar até tarde da noite refazendo todas as medidas, cantávamos alegremente um para o outro que hoje ficaríamos “Eu e você, você e eu, juntinhos!” no laboratório? Ou de Dinâmica Não-Linear, em que metade da turma chegou com mais de uma hora de atraso para a prova porque estavam todos em minha casa estudando na noite anterior e, bem, chegar na hora nunca foi o meu forte? Ou do desafio que foi pagar a disciplina mais difícil do Mestrado junto com todas da graduação, mas não sem o apoio incondicional de Rafael e Sobral? Ou de quando sentamos alegremente para fazer uma prova de Estado Sólido para sermos surpreendidos com um envelope pardo, com tirinhas de papel dentro que tínhamos que amassar e comparar com a variação de entropia diária de um ser humano? Vocês são meus heróis, isso sim. Eu poderia ficar a noite inteira aqui relembrando dos momentos que passamos juntos, e por isso quero que vocês saibam que para mim é uma grande honra compartilhar esse momento com vocês. Eliasibe, você é um cara iluminado, e seu esforço e companheirismo nunca serão por mim esquecidos. Sobral e Rafael, vocês dois são simplesmente destemidos e geniais – e um pouco loucos e inconseqüentes também. Agradeço por me incentivarem a ser um pouco louco, e preciso admitir que a experiência foi inesquecível. Meu curso não seria o mesmo sem vocês três, que junto comigo levaram o Diretório Acadêmico para frente, mesmo tendo consciência da tarefa monumental que isso seria. Tiago Nunes, brincar de “advogado do diabo” com você me fez crescer bastante, e espero que tenha feito você crescer bastante também (háháhá), e nossas discussões serão sempre relembradas com carinho – embora eu nunca vá torcer pelo Sport. Dibartolomei e Alan, eu queria ter a paz e tranqüilidade de vocês em época de provas: espero um dia ser uma pessoa tão amável e tranqüila como vocês. E Milena, Mileninha...você é uma macaca muito especial pra mim. Inteligente, bem-humorada e sempre a postos, seu espírito animador é contagiante. Eu só tive a honra de conhecer Ricardo e Bruno agora a pouco, durante a organização dessa colação de grau, mas tenho certeza que também se trata de duas pessoas maravilhosas. Mais uma vez, reitero, é uma honra para mim dividir esse momento com vocês.

Às namoradas e namorado, o nosso carinho pelo apoio incondicional. Não teríamos conseguido sem a força de vocês – vocês foram nossa fortaleza, e agradecemos entre outras coisas pelo ombro que nos consolou quando fizemos péssimas provas. A nossa indesejada ausência se justifica hoje, e em nome dos meus colegas que não têm namoradas fazendo física, aqui está a prova de que eles não estavam no bar da esquina tomando cachaça e paquerando as garotas que passavam rebolando. Isso tudo foi fruto da imaginação de vocês, e esse diploma vai por fim a esta discussão, combinado?

Aos nossos professores, muito obrigado por tudo. Vocês são pessoas maravilhosas. Aos excelentes professores, por conseguirem fazer coisas complicadíssimas parecerem tão simples e nos lembrarem do grande motivo que nos fez entrar nesse curso: que Ela, com “E” maiúsculo, é linda e faz o que quer – a nós, só resta pedir licença e tentar compreender os seus motivos. E se vocês se perguntaram “Ela quem?”, como Milena também certa vez perguntou para um desses excelentes professores, Ela é a natureza. Aos maus professores, agradeço por nos ensinarem a estudarmos sozinhos, a criar a tão desejada (e sempre necessária) independência. Vocês também têm parte no nosso sucesso. Aos orientadores pelo incentivo, e por estarem lá para nos segurar quando estávamos pra cair. Vocês são geniais, são mesmo. E aos professores homenageados, vocês não estão aqui por acaso. Sempre nos lembraremos de seus ensinamentos, e saibam que vocês realmente tocaram e mudaram nossas vidas, e merecem todo o crédito por isso.

Aos nossos familiares, esse dia é tão nosso quanto de vocês. Quando estávamos escolhendo o nome da turma, um dos nomes que surgiram durante o “brainstorm” foi “Eu devia ter escolhido Direito e feito mamãe feliz”. Mas na hora da votação esse nome foi rapidamente riscado da lista, pois concluímos que nenhuma das nossas mães teria ficado feliz se tivéssemos feito algo que não amamos. E foi unânime. Para um curso tão difícil, onde a perspectiva do futuro é nebulosa, isso é algo único. Nossas famílias nos apoiaram no momento em que decidimos nos aventurar nos mistérios da natureza, e por isso somos extremamente gratos. Em particular, eu agradeço a minha mãe e minha avó por terem me dado apoio em meu momento de fraqueza e me incentivado a fazer isso que amo, mesmo que tenha levando um tempo a mais para eu lograr êxito. E eu não poderia estar mais feliz hoje do que estou agora. É preciso muita coragem para decidir fazer Física, mas é preciso muita sorte para ter uma família que lhe apóie. E todos nós somos muito afortunados, e nesse momento precisamos agradecer. Tiveram aniversários que faltamos, casamentos que saímos mais cedo, churrascos, sushis e feijoadas em aldeia que perdi, celebrações que não pudemos comparecer devido ao curso que tínhamos escolhido, e que provavelmente não nos deixaria materialmente ricos – mas nossa família sabia que seríamos espiritualmente ricos e felizes, e isso era tudo que importava. A vocês também pedimos desculpas pela nossa ausência dentro de casa e em celebrações familiares. Mas, como disse para os nossos amigos, o dia de hoje mostra que fizemos valer muito bem todo esse tempo ausente, e estamos hoje colhendo os frutos de nossa dedicação. A vocês, pelo carinho, apoio, companheirismo e compreensão, o nosso muitíssimo obrigado.

Aos alunos de física que estão no início do curso, nossa mensagem de encorajamento: aparentemente, e ao contrário da crença popular, é possível sim se formar em Física – algo que imaginava ser impossível enquanto estava pagando Mecânica Geral.

Quando estava no quarto período - tá acabando, juro - quando estava no quarto período - juro - surgiu uma oportunidade de encabeçar a presidência do Diretório Acadêmico, a qual abracei, por achar que maior atenção deveria ser dada aos alunos que fazem parte do departamento. Estou muito orgulhoso, como estudante de física e como presidente da nossa gestão, de tudo o que fizemos. Os Colóquios Jrs ocorreram com freqüência impecável, com qualidade insuperável, alguns até com "comilóquio", e cativaram uma audiência importantíssima – aqueles que farão o futuro do D.A.. Hoje, alguns deles estão querendo fazer parte e ajudar a dar continuidade ao nosso trabalho, pois reconhecem a importância de expandir e melhorar as atividades para os estudantes da graduação. Como maior conquista, concretizamos a reforma de nossa sede.

O motivo pelo qual aceitei essa tarefa foi simples: eu sempre quis muito fazer a diferença. Eu ainda acredito num futuro mais bonito. Mas também acredito que esse futuro não virá se não lutarmos por ele. Às gerações futuras, resta a vocês dar continuidade a este trabalho importante, tornando a nossa parte no tripé alunos/professores/funcionários cada vez mais forte. Como diria o nosso professor homenageado Leonardo, “a viscosidade do sistema é altíssima”, mas sempre existirão desafios a serem vencidos, e precisamos tomar parte neles para que alguma mudança aconteça. Fizemos nossa parte, e agora é a vez de vocês.

Hoje, separamos os homens dos meninos – exceto Milena, que separou a mulher das meninas (háháhá). Estamos aqui por escolha, e nos formamos com muita dedicação e afinco. Mas afinal, porque escolhemos física?

Todos os grandes líderes da humanidade lutaram até lograr sua meta. Alcançar o que haviam elegido como felicidade, como fundamental para contínua busca. Buda renunciou a todo o conforto principesco para atingir a iluminação. Maomé sofreu perseguições e permaneceu indômito, até lograr sua meta. Gandhi foi preso inúmeras vezes sem reagir, fiel aos planos da não-violência e da liberdade para o seu povo. E Jesus preferiu a cruz infamante à mudança de comportamento fixado no amor.

A nossa escolha foi tentar entender como o mundo funciona, motivados pela nossa insaciável curiosidade. Na verdade, saímos com mais perguntas do que quando entramos, pois Ela, com “E” maiúsculo, nos prega peças, e não se mostra facilmente. Aprendemos, no entanto, a apreciar esse seu lado tímido, e sempre seremos insistentes, para quem sabe um dia, ela dar mole pra gente. E nesse dia, todo o esforço vai ter valido a pena, pois seremos um dos poucos no mundo que conseguiu tirar uma casquinha dela!

Nós, que juntos caminhamos até aqui, juntos iniciamos uma nova fase. E que venha o Mestrado, as listas, e a falta de tempo de novo. Por enquanto, repito as palavras mais do que apropriadas de Júlio César: “Veni, vidi, vici!”.

Muito obrigado a todos vocês pela atenção e pelo carinho, e espero que todos tenham uma ótima noite como eu estou tendo!

Obrigado!"

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Discurso de formatura, Licenciatura em Física 2008.1, por Rafael Alves



"Boa noite, senhoras e senhores aqui presentes, diretor do CCEN e demais integrantes da mesa.

Gostaríamos de relembrar alguns aspectos marcantes desses anos de graduação. Já no primeiro período, tivemos uma amostra do que seria fazer Física na UFPE. As fenomenais aulas do professor Marcelo Gomes na disciplina de Elementos de Física nas quais ele apresentou de modo simples, questões não triviais, como – por exemplo – calcular qual a maior altura que uma montanha pode possuir no planeta terra, como os antigos calcularam o raio da terra, usando apenas geometria... Explicando também alguns dos mais belos experimentos da física, como a experiência de Millikan. Essas abordagens nos levaram a romper definitivamente com as idéias que um aluno do ensino médio possui a respeito da Física. Ele nos levou a perceber a Física muito além de bloquinhos escorregando em planos inclinados.

Para completar as boas-vindas ao espetacular mundo da ciência, tivemos o professor Getúlio Bulhões que nos desafiou a não ser um aluno L1, L2, Ln, siglas que acompanham as disciplinas da licenciatura e muitas vezes são sinônimo de inferioridade e que nos rotulam como aluno de segunda classe. Mas quero que fique claro, o problema não é a sigla, mas a mentalidade daqueles que estipulam o nível a ser dados nesses cursos. A você Getúlio nosso muito obrigado por nos contaminar com a idéia de que podemos ser muito mais do que alunos L’s, mas sim verdadeiros físicos. Graças a você, que ousou ministrar Geometria Analítica 1 em um curso L1, posso olhar no rosto dos licenciados que aqui estão e ver profissionais capacitados a exercer a docência, mas também a não ter abortada a sua carreira de físicos-pesquisadores. Porque é isso o que um licenciado em Física é: um físico com todos os seus atributos, e ainda por cima com a nobre função de transmitir os conhecimentos de Física para um aluno de Ensino médio.

Aprendemos também com o professor Antenor, de Química LF2, a valorizar livros importantes para a formação básica de um físico. Ele fazia questão de nos aconselhar a respeito do Mahan.

Ao longo da graduação, principalmente a partir do 5º período, aprendemos as maiores lições que o curso de Física nos proporcionou, lições essas que não são a extremização da ação, a resolução da equação de Schrodinger e nem mesmo a tão importante resolução do oscilador harmônico nas suas mais diversas formas. As mais valiosas lições que tivemos foram a união, companheirismo e solidariedade. Aprendidas no decorrer de vários finais de semanas, feriados, madrugadas e demais momentos vivenciados a base de muitos biscoitos trelosos, fazendo as listas e estudando para as provas. Tudo isso nos levou a formar uma verdadeira família e não apenas uma turma. Foi esse espírito de família que nos levou a ajudar Sérgio a voltar de Taiwan para poder concluir seu curso, mas é uma pena que ainda faltou 25h para concluir sua carga-horária e, assim ele não pôde se formar conosco.

MAS... nem tudo foram flores. É importante ressaltar que além das dificuldades naturais existentes no curso de Física, a licenciatura ainda sofre com o descaso de grande parte dos professores do Departamento. Muitos não têm interesse de lecionar na licenciatura e usam as mais diversas desculpas para justificar isso. Dentre elas, a mais comum é que dar aula numa turma noturna irá prejudicar o seu rendimento como pesquisador, pois no outro dia pela manhã o “professor” terá que estar em seu laboratório. Acreditamos que é de fundamental importância mudar essa mentalidade, porque dar aula em um curso noturno não é prejudicar seu desempenho como pesquisador, mas investir em uma geração de novos professores que terão a missão de ajudar a nascer nos alunos de Ensino Médio novos pesquisadores.

Ora, se tivermos bons Físicos como professores de Ensino Médio com certeza poderemos transformar essa sociedade de burocratas em uma sociedade de cientistas. Físicos-professores terão condições de mostrar aos alunos de Ensino Médio que tanto a Física como as demais ciências não se resumem a fórmulas matemáticas que aparentam não dizer nada, ao contrário, a ciência nos permite desvendar alguns dos mistérios escondidos pela natureza.

Todos nós nos orgulhamos muito de ter feito um curso 5 estrelas num departamento nível 7 Capes, onde somos exigidos a sermos alunos nota 1000. Porém, a busca por todos esses índices impede que o departamento seja nota 10 em suas maneiras de avaliar os alunos, porque - às vezes - se preocupa muito mais com o número do que com o aluno em si.

Mas, não queremos ser injustos com aqueles professores que são comprometidos com a educação, independentemente do curso ser noturno ou diurno. Dentre eles, gostaríamos de expressar nossa gratidão aos professores homenageados nesta noite e outros que apesar de não estarem aqui serão sempre professores homenageados por nós, uma vez que devemos a eles parte importante de nossa formação, como os professores Marcílio e Brady.

Julgamos importante também honrar àqueles que foram nossas primeiras referência em Física: nossos professores do Ensino Médio. Acredito que todos nós temos algum nome que gostaríamos de agradecer, por isso agradeço aqui ao meu professor Ivan Santos, como se estivesse homenageando a cada professor do Ensino Médio que colaborou para a formação de cada concluinte que aqui está.

Agradecemos também aos funcionários Ary e Paula que tantos nos ajudaram em nosso curso.

Além disso, nossa maior gratidão é para Deus que nos ajudou nesta difícil caminhada e à nossa família que sempre nos apoiou.

Enfim, por tudo isso, queremos deixar nossos parabéns a todos os formandos, pois independentemente da média geral de cada um, todos nós somos vencedores e verdadeiros alunos nota 10!"

domingo, 15 de junho de 2008

Supostamente Conhecido

Acho estranho a situação quando se anda pelo mundo afora e então se encontra um camarada, supostamente conhecido, de óculos escuros. Primeiro não tem nem certeza se é a pessoa que você acha que é; depois, como fica sua cara se você falar e ele nem der atenção? Quer dizer, você sequer sabe se o camarada está olhando na sua direção...

Agora a novidade é o mp3 (4, 5, ...): a evolução do antigo e quase não funcional "Walk-Man*", digo que era não funcional porque nunca consegui fazer aquilo funcionar direito, tanto com as rádios quanto com a k7, rsrsrs - mas isto é um julgo de valor, é pessoal.

O cara está ali andando com o seu sonzinho no ouvido e você vê o camarada e grita de felicidade "Fulano de tal" e ele segue, como se nada tivesse acontecido, e nada aconteceu mesmo (rsrs). Complicado.

E ai quando eu vejo alguém de óculos escuros eu falo ou não falo no meio da rua? Eis a questão. Fico encarando e, se o cara não me (re)conheça, deve achar, caso esteja olhando em minha direção, que devo ter tendências homossexuais, quando na verdade a idéia é que sempre é bom (re)ver amigos antigos.

Alguém vai caminhar à tardinha e pensa: "porque não levar meu walk-man evoluído?" Depois acaba ainda protegendo seus olhos do sol quente, para quê ele comprou os óculos, afinal? Aí acabou! O cara correndo lentinho de óculos escuros e o ouvido ocupado: acho que não vai querer que ninguém interrompa seu passeio, ou seu esporte.
Me pergunto o que mais vai colaborar para que os seres humanos acabem se tornando, de fato, um gás de partículas não-interagentes...
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* Novidade pra mim: Walkman® é uma marca registrada e pertence à Sony Corporation. (fonte: wikipedia). O certo, então, é dizer: "tocadores de áudio".

quarta-feira, 30 de abril de 2008

O mundo assombrado por buracos negros

Houve uma época da humanidade em que as pessoas acreditavam em bruxas e feitiçaria. Justamente por crerem tanto nas lendas dessas mulheres, elas foram acusadas de hereges e queimaram nas fogueiras da inquisição. As pessoas também já chegaram a acreditar em dragões, em magia, no continente perdido da Atlântida e na cura pelo poder do pensamento. O mais incrível de tudo é que esta era da humanidade ainda não terminou e não tem previsão para terminar. Somos escravos de nossas crenças e desejos mais íntimos. O que seria dos escritores de ficção científica sem os ETs e dos livros de fantasia sem os duendes, magos e suas varinhas de condão? Este tipo de coisa não apresenta grandes problemas para humanidade quando existem em seu domínio apropriado de fantasia e potenciais inalcançáveis. Entretanto, quando fantasias começam a tornar-se crenças falaciosas por pessoas sem discernimento crítico da realidade, é necessário tomarmos uma posição diante de tal pseudociência.
Não é preciso irmos muito longe para notarmos que o mundo anda assombrado por demônios, título de um famoso livro do astrônomo Carl Sagan. Basta dar uma olhada no YouTube para vermos o que a criatividade humana é capaz de criar com computação gráfica e uma boa dose de pseudociência. Pois é, pessoal, nossos dias estão contados. A Terra será engolida por um buraco negro que será criado no maior acelerador de partículas do mundo, o LHC (Large Hadron Collider), em apenas poucos segundos... E agora, quem poderá nos ajudar?! A comunidade científica, é claro. Afinal, quem é mais gabaritado para destruir os monstros construidos com suas próprias ferramentas? Agora, se depender da mídia sensacionalista, estamos ferrados... Portanto, vamos tentar exercer uma interferência construtiva sobre esse assunto tão "Nostradâmico".
Para aqueles que não ouviram o boato, tem gente dizendo que um mundo vai acabar com um buraco negro engolindo a Terra. Este monstro gravitacional deve ser criado quando o LHC começar a funcionar. Por mais maluco que este boato possa parecer, ele tem um pequeno fundamento de verdade que, entretanto, foi mal interpretado por algumas pessoas e acabou se tornando mais um exemplo de argumento pseudocientífico. Pretendo desmistificar esse assunto com algumas informações científicas relevantes sobre o assunto.

1. Grandes Dimensões Extras. Primeiramente, a teoria que prediz a criação de mini buracos negros é uma extensão do modelo padrão one admite-se a existência de grandes dimensões extras (Large Extra Dimensions). A existência dessas dimensões extras permite que a gravidade seja mais forte em distâncias pequenas, consequência do caráter geométrico da gravidade. Isso faz com que o raio do horizonte de eventos de um buraco negro aumente e, como conseqüência, a massa crítica de formação diminua, permitindo que a acumulação de partículas elementares num pequeno volume do espaço formem um buraco negro. O que interessa de toda essa discussão é que precisamos dessas grandes dimensões extras para criação de mini buracos negros e estas não passam apenas de hipóteses não confirmadas por experimento algum até hoje. Outro problema, que também é um problema de teoria de cordas, é o do ajuste dos parâmetros de tamanho e forma das dimensões extras. Estes não surgem diretamente da teoria, mas são parâmetros livres, assim como as massas e cargas do modelo padrão. Portanto, existe um ajuste fino desses parâmetros que permite a formação dos buracos negros na escala de energia do LHC
e, caso não sejam observados lá, podemos simplesmente reajustar as constantes para aumentar essa energia. Esse grau de arbitrariedade põe em cheque a validade desse tipo de teoria.

2. Radiação Hawking. Na década de 70, Hawking mostrou num belo artigo que num regime semi-clássico buracos negros devem emitir radiação térmica (i.e. aquela de um corpo negro) com temperatura inversamente proporcional ao raio do buraco negro. Este resultado foi demonstrado por vários outros métodos diferentes do usado por Hawking e é uma das bases seminais da teoria quântica de campos em espaços curvos. Este resultado, apesar de não haver confirmação experimental, é uma conseqüência da junção de teoria quântica de campos com a relatividade geral e é amplamente aceito como verdadeiro na comunidade de gravitação quântica. Como conseqüência da conservação da energia, Hawking mostrou que esses buracos negros devem diminuir de tamanho até desaparecerem num tempo finito, um processo chamado de evaporação de buracos negros. Este tempo é da ordem de 10^-23 segundos para um buraco negro com diâmetro de 10^-18 metros. Assim, mesmo que buracos negros sejam criados no LHC, eles devem evaporar antes mesmo de alcançarem o detector! A única coisa detectável seriam os produtos desse decaimento. Pode-se questionar que a medida que o buraco negro engole matéria ele deve aumentar e prolongar seu tempo de vida. Entretanto, um buraco negro com uma seção de espalhamento de 10^-36 metros quadrados atinge em média 1 próton a cada 200 km. Dado que os prótons no LHC serão acelerados a velocidades muito próximas a da luz, este buraco negro seria criado em média com velocidade muito maior que a velocidade de escape da Terra, encontrando poucos prótons em seu caminho em direção aos confins do espaço... Mas, novamente, a taxa de evaporação dos buracos negros é muito mais alta que sua possível taxa de acreção de massa, sendo mais razoável esperar que ele evapore antes mesmo de interagir com a matéria.

3. Raios Cósmicos. Por último, mas não menos importantes, estão os raios cósmicos. A Terra está sendo o tempo todo atingida por partículas, provavelmente prótons, acelerados a velocidades extraordinárias chegando a energias da ordem de 10^19 eV, energia equivalente a produzida por 10 milhões de LHC's. O observatório Pierre Auger, localizado na sudeste da Argentina, foi criado justamente para observar estes raios criados pelo maior acelerador de partículas que o ser humano conhece: o próprio universo observável. É incrível que este fenômeno tenha passado despercebido por tantos anos! Uma descoberta recente do Auger foi a reconstrução da trajetória dos raios cósmicos com intuito de identificar a origem dos mesmos. Os dados sugerem que eles são criados nos objetos celestes chamados de AGNs (Active Galactic Nuclei) cuja origem ainda não está plenamente compreendida. Acredita-se que os AGNs estejam envolvidos com buracos negros, a manifestação gravitacional mais intensa que conhecemos. A grande lição que os raios cósmicos nos dão é que, se fosse para sermos engolidos por um buraco negro formado por colisões de partículas, já devia ter acontecido a alguns bilhões de anos atrás. Afinal, colisões bem mais potentes que as do LHC estão ocorrendo acima de nossas cabeças o tempo todo...

Sem mais delongas, é com muita tristeza que afirmo: é pouco provável que o mundo acabe engolido por um buraco negro no centro da Terra (a multidão lamenta: ahhhh...). Pois é, caros amigos e amigas, não poderemos ver cenas sensacionais como nossas casas sendo sugadas em milésimos de segundo enquanto teóricos defensores das dimensões extras se cumprimentam no seu vôo alucinante em direção ao centro do engolidor de planetas. De fato, seria uma cena bastante interessante, mesmo que mórbida.

É curioso e até mesmo natural que um boato dessas proporções tenha sido disseminado tão rapidamente. Entretanto, é preocupante o fato de que este boato não é recente. Ele surgiu em 1999, no contexto de um outro acelerador de partículas que estava sendo completado. O ceticismo científico é o mesmo desde do surgimento do boato até seu reaparecimento em 2008. Tudo isto é um resultado preocupante do tipo de sociedade da informação que estamos criando, preocupação central do livro de Carl Sagan citado no início do texto. O ceticismo, base da ética científica (ou método científico, como queira), não faz parte da metodologia de pensamento ensinada nas escolas. Estamos vivendo uma era de acesso à informação nunca antes visto e, como é o caso do presente texto, de produção de informação pelos indivíduos. Quantos são os líderes que ainda hoje se consultam com videntes sobre decisões cruciais de governo? Quantas são as pessoas que se entregam a dados falaciosos, a crenças intransigentes e inflexíveis baseadas em dogmas emocionais? Concordo com Sagan quando ele diz que a ciência aparenta ser uma pequena vela acesa no meio da escuridão assombrada por demônios criados pela própria mente humana. Nós, futuros cientistas da nova geração, devemos ter essa preocupação para que a nossa realidade não acabe assombrada por buracos negros da ignorância...

Referências:
Back Reaction - Blog da Sabine Hossenfelder
Site do LHC
Artigo sobre Teoria de Cordas no LHC

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Formatura CCEN - UFPE 2007.2

A pedidos de muitos, hoje aproveito minha vinda aqui no df (departamento de física - UFPE) para postar a corbertura de mais uma formatura dos alunos do CCEN (Centro de Ciências Exatas e da Natureza) especialmente os de física. Não estranhe num feriado nacional eu está na Universidade, afinal eu sou um estudante de física e não sou único aqui no departamento, só aqui na sala do DA (Diretório Acadêmico) tem mais três! Sem falar nas outras salas e laboratórios. E imagine ter aula no dia de hoje, 18h às 20h, pois é tem uma turma que está chegando aqui pra assistir essa aula, sem falar da outra turma que teve aula durante a manhã. Pois é meus caros leitores, considerando a regularidade desses fatos isso só acontece em um departamento de física.
Bom, mas vamos voltar a formatura. Hoje vou apenas postar alguns vídeos, a maioria deles sãos os discursos dos alunos, os quais resumem as experiências de uma vida universitária. Fico devendo algumas fotos, que pretendo fazer um slideshow para postar aqui no blog.


A entrada





Discursos



Aluno de Estatísica






Aluno de Física Bacharelado






Aluno de Física Licenciatura



Enfim, está aqui o discurso de Ricardon, dividido em duas partes por ter mais que dez minutos. Achei melhor não editar, para não tirar a integridade.


Parte 1



Parte 2




Aluno de Química






Aluno de Matemática


sábado, 29 de março de 2008

Busão com Wi-Fi

Imagine tu pegando um ônibus da linha Barro Macacheira - Várzea, saindo da estação do Barro. Tu entras no ônibus, senta, tira da bolsa teu smartphone ou notebook e começa a navegar na internet através da rede Wi-Fi do ônibus... Parece sonho né?

Na verdade ainda é um sonho para os ônibus aqui no Brasil, principalmente os urbanos tipo carne enlatada, sardinha enlatada e afins, a exemplo da linha supracitada, ter essa "graça".
Porém, isso já é realidade para uma linha da empresa Stagecoach que liga Edimburgo à Fife, ambas as cidades na Escócia.

A empresa investiu cerca de 36 mil libras, algo em torno de 125 mil reais, para equipar 38 ônibus com Wi-Fi. Além de atender cerca de 40 mil passageiros por semana, os veículos são rastreados através da infra-estrutura montada. Também sem esse rastreamento não poderia vir não é? Vai que algum louco queira fazer com um desses ônibus uma casa ambulante com internet sem fio.

Um dia chegaremos a esse nível! Enquanto ele não chega, basta sonhar!

Fonte: Info Online

domingo, 23 de março de 2008

iPod Nike Sport Kit e você, tudo a ver...

Recentemente, fiz uma descoberta reveladora: correr realmente faz bem para a saúde! Com um treinador, um par de tênis novinhos em folha e muita disposição, comecei a minha ascenção rumo à maratona, tendo como treinador o ilustre Maçã, vulgo Fernando Nóbrega. Após mais de um mês e meio de corrida, no entanto, as provas do final do semestre passado entraram avassalando minha vida pessoal, e levaram de mim a única atividade saudável que eu realizava (arremesso de papel não conta). Parei de correr, minha namorada me largou, meu cachorro nem me reconhecia mais, minha família me chamava de "ovelha negra" e as pessoas na rua me olhavam com desprezo: no fundo ficou a tristeza, acompanhada de todos os maus vícios que este maldito curso me traz (insônia, enxaqueca, prisão de ventre e correlatos..) - vícios estes que a corrida tinha ajudado a curar!!!

Mas enfim, como no fim tudo dá certo (e se ainda não deu certo é porque ainda não chegou ao final - blehrgh! ¬¬ ), eis que na minha última aquisição 'geek' comprei um 'gadget' que está mudando minha vida - e para melhor.

Na verdade, comprei vários: uma caneca auto-girante, um iPod Nano (verde menta!) com váaaaarios acessórios, e, dentre estes um Nike iPod Sport Kit. E é sobre este último que quero falar aqui.

Após me divertir com a caneca nova no primeiro dia (e tomar café nela até começar a passar mal com taquicardia, tremores e enxaqueca), decidi que era hora de voltar a correr, desta vez com auxílio da mais alta tecnologia. Fiz um pequeno teste na mesma noite que ele chegou, e me surpreendi. Dois dias depois, resolvi ser mais "profissa": coloquei o "shoe pouch" com o transmissor no meu tênis, liguei o receptor no iPod, coloquei ele no braço, o fone no ouvido e fui para a Jaqueira, para o meu primeiro treino após mais de um mês e meio. Fiz uma corrida super tranquila e leve para não estafar após o período de hibernação, e minha principal preocupação foi com a calibração mesmo. O kit calcula automaticamente a distância percorrida, o tempo, número de calorias perdidas e passada por quilômetro, com feedback nos fones a qualquer instante que você quiser. Ah! E quando você termina a corrida, Lance Armstrong (entre outros e outras) lhe dá os parabéns, e fala qual foi o ponto forte da sua corrida ("Parabéns! Esse foi o seu treino mais longo até então!" ou "Parabéns! Esse foi o seu quilômetro mais rápido!"). Eu me senti a Maçã em pessoa... ¬¬

Quando cheguei em casa e sincronizei o meu iPod, eis a surpresa (que já era esperada): belíssimos gráficos do espaço de fases mostravam meu treino!



É claro que fiquei um pouco surpreso pelos gráficos não serem escadas perfeitas (e se assemelharem mais a uma senóide), mas hey, eu corro bonito, não?! Veja o gráfico com mais detalhes aqui. Futucando um pouco mais o site da Nike descobri várias outras coisas igualmente interessantes, como a possibilidade de colocar objetivos, e receber "troféus" por isso; apostar corrida com outros usuários, bem como postar em um blog (em um blog!!!) os gráficos de seus treinos.

Criei então um blog, "Run, Tiago, Run", onde estarei postando os gráficos das corridas e minha evolução pessoal. É simplesmente delicioso treinar desse jeito. Meu segundo treino foi em Aldeia, num local sem marcação de distância: como estava com meu sensor, tudo era automático. Toda a dificuldade que poderia existir em correr some com um bixinho desses...

Você pode ver todas as minhas corridas aqui. Clicando em cima de uma das corridas, ele lhe mostrará o gráfico. Alguns gráficos são meio estranhos, o que me deixa pensando se esse bixinho não tá precisando de uma calibragem melhor..a verificar! Veja, por exemplo, o gráfico da segunda corrida aqui...

Observe também que, junto com os gráficos, estão várias informações pertinentes: calorias queimadas, tempo, passada média, e até a playlist que eu estava ouvindo!!!

Hoje, estou de volta com minha namorada, meu cachorro me ama, minha família me chama de "jóia rara" e as pessoas na rua ficam ansiosas para me parar e bater um papo comigo... =DDD

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Jogo da Velha Tridimensional?

No Departamento quando não se tem o que fazer (quando é isto?) acabamos inventando outras coisas malucas, eis aqui uma loucura recente: o jogo da velha tridimencional. As regras continuam válidas: ganha quem completar uma fileira, mas agora a noção de altura é explorada o que torna mais fácil alguém vacilar. A figura mostra as maneiras de se ganhar: Amarelo - pela coluna no mesmo "andar"; Amarelo Queimado - pela linha no mesmo "andar"; Violeta - pela diagonal no mesmo "andar"; Roxo - pela coluna (pense como se os "andares" estivessem um em cima ou em frente ao outro); Azul - pela diagonal vertical; Verde - pela diagonal horizontal; Vermelho - pela diagonal "diagonal", rsrs.
O processo foi mais ou menos assim: queríamos reconstruir o jogo da velha para que não desse sempre empate se os jogadores fossem bons, então imaginamos fazer tridimencional. O problema é que neste caso o primeiro jogador sempre ganha se souber jogar ao menos razoavelmente. Nossa solução foi colocar mais uma pessoa para jogar (três pessoas), embora o problema não fosse realmente solucionado e o jogo perdesse a essência observamos que questões políticas são envolvidas e fica realmente um jogo interessante.
A última solução proposta foi acrescentar mais um quadrado assim ficam quatro jogadas mínimas para a vitória e quatro "andares", rsrs. É esta figura ai ao lado: um jogo para duas pessoas que jogam alternadamente até que alguém complete uma fileira.
Eu espero que neste jogo se ambos os jogadores souberem fazer um belo jogo será sempre empate, como o jogo da velha no plano, mas agora "o juízo do cabra dá nó" como disse nosso amigo Tiago ceará quando jogava! Bem, espero que gostem e joguem!!!
Abraço a todos.
___________________
Eu imagino que, pela simplicidade e analogia, este jogo já deve "rodar" em algum lugar, então não devemos dizer exatamente que "inventamos"; mas a idéia foi construída independentemente de qualquer outra idéia externa. É diversão.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A lógica dos políticos: os fins justificam os meios


Experimental
Originally uploaded by Henrique Vicente
Maquiavel disse faz algum tempo que os fins justificavam os meios. Ele não quis dizer com isso que era justificável o uso de brutalidade ou atitudes anti-éticas para se conquistar novos territórios, etc. Esse pensamento surgiu devido a uma má tradução de sua obra para a língua inglesa, se não estou enganado.

O que ele buscou falar com isso foi que os meios de se chegar aos dados fins eram determinados pelos próprios fins. Ou seja: os meios não eram escolhidos ao acaso, mas pelo uso da razão. Se é desejável atravessar um rio, não se deve ficar andando em uma das margens do mesmo, mas molhar os pés, usar um barco ou uma ponte.


Para entender o que vem a seguir se faz necessário o conhecimento de alguns fatos:
i) A Anac afirma ter um bolsa-piloto para cobrir 75% do valor do curso de formação.
ii) Boa parte do custo de se formar como piloto é por conta do custo de hora-vôo.
iii) A maior parte do custo de um vôo para um avião — como o da imagem, que é justamente o tipo do usado no curso de piloto privado — é com combustível.
iv) A maior parte do custo do combustível é com impostos.
v) Para se formar como piloto no Brasil se faz necessário aulas práticas em aeroclubes.
vi) A Anac "descubriu" ter 433 aviões emprestados para aeroclubes que os usam — principalmente — para formação de pilotos.
vii) A Anac possui um bolsa-piloto para custear 75% dos custos de formação de um novo piloto.


Pois bem... Qüal a fantástica idéia da Anac? Leiloar os aviões e usar o dinheiro para custear a formação de mais novos pilotos!

Vejamos: os aeroclubes vão ter que arremater os aviões (logo, precisarão de dinheiro) ou devolvê-los. O que encarecerá os custos para novos alunos uma vez que a oferta irá diminuir e os custos aumentar.


E a Anac ainda fala que "estimula, incentiva e fomenta" a formação de novos pilotos. Dá para acreditar?


Para mim isso está em perfeita coerência com a lógica dos políticos! Estamos em ano de eleição! Não importa se isso vai ser bom ou ruim para outros senão eles próprios. O que importa é o que vai ser material que poderá ser usado como propaganda política, qüando assim for útil.

Não seria de uma lógica mais coerente diminuir os impostos sobre o combustível liberando uma cota de combustível para os novos pilotos usarem e após finalizar o curso terem os impostos referentes àquela qüantidade reembolsados uma vez alcançando a certificação, no mínimo?


Não para os fins desejados pelos políticos. A Anac, por sua vez, tem em sua construção o DAC, que deveria se chamar DCA (Defesa Anti-Aérea).


Em outras palavras: os nossos burocratas também sabem seguir a lógica. Usam os meios corretos para os fins que querem. Pelo menos qüando querem material para o horário eleitoral.


Anac vai leiloar 433 aviões de sua propriedade, por UOL Últimas Notícias.

PS: após meses registrado, esse é o meu primeiro post aqui... :)

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Reciclagem - Um dever de todos

Como alguns amigos meus sabem, eu não sou muito fã de carnaval. É uma manifestação cultural muito bonita, de certa forma saudável e, digamos, com resultados profusamente replicantes (a taxa de natalidade provavelmente aumenta no pós-carnaval). Bem divertido ver pela TV, mas multidão não é comigo. Dadas estas condições de contorno que me impõem, atinou-me fazer uma pequena faxina no meu quarto. Ao fim da arrumação dos meus CD's, restou-me uma pilha de 5 cm de mídias que eu resolvi jogar fora. Súbito, surgiu a dúvida: será que CD's são materiais recicláveis? Este tipo de questão tem recentemente chamado-me a atenção em vista da disseminação do conceito "aquecimento global" e do aparentemente descorrelacionado surgimento de latões de reciclagem próximos a minha casa e na UFPE, além das singelas caixas de papelão portadoras de ilustríssimos erros de cálculo e rascunhos provenientes do nosso Departamento de Física da UFPE. Obviamente, sendo eu filho da globalização, fui procurar no grande oráculo dos nossos tempos, a chamada internet, a resposta para esta questão inerente e fundamental. Dito e feito, CD's são recicláveis. E com resultados espantosamente eficientes! De acordo com a Optical Storage Technology Association (OSTA):

cada tonelada de CD-R que é reciclado podem ser recuperados 984 Kg de plástico de policarbonato, 113 gramas de tintura, 1,316 Kg de ouro e 15 Kg de revestimento e material impresso. O policarbonato pode ser usado para moldar produtos reciclados e o ouro pode ser refinado em um processador de ouro".

Nesta minha busca, descobri que o Brasil não dispõe do serviço de reciclagem de mídias como o CD. Triste, mas esperado. O Brasil não cuida direito nem da Amazônia, quanto mais dos pobres CD's. Estes são humildemente chamados de tecnolixo somente pelos irmãos americanos, estes que poluem tanto que chegam até a se preocupar. Lá o percentual da população que produz tecnolixo é maior que os cerca de 17% da população brasileira que tem computador. Até mesmo nosso lixo é periférico! Pois é, acho que por enquanto vou manter meus velhos CD's guardados... O pior é saber que menos de 30% das mídias jogadas fora nos países desenvolvidos são recicladas. Isto é preocupante justamente nestes tempos nefastos da era da informação nos quais os CD's podem ser facilmente gravados e copiosamente descartados... Portanto, caros amigos, pensem bem quando forem gravar algum CD, seja ele de dados ou de música, se vale mesmo a pena. Assim como devemos nos preocupar com o que imprimimos e escrevemos nos nossos preciosos papéis (tenhamos pena de nossas árvores...), também devemos nos preocupar com o futuro das nossas mídias. Mesmo os CD-RW têm um limite de cerca de 1000 regravações, portanto, tenhamos parcimônia. Além disso há aqueles que vivem a comprar ou gravar DVD's piratas com filmes que só irão assistir uma vez na vida. Assim como nos preocupamos em filtrar as informações e descartar dados inúteis em nossas mentes, acredito que seja salutar estendermos este tratamento igualmente aos nossos dispositivos de armazenamento não-orgânicos.

Devemos ampliar a reciclagem em vários sentidos de nossas vidas - tanto a mental como das propriedades físicas. Reciclagem é o tipo de coisa que é útil não somente ao indivíduo, e sim à comunidade como um todo. Nestes nossos tempos de excesso de informação e produção em massa, a mera utilidade deste ato passa a ser um dever cívico e, destarte, global como tudo o mais neste atravancado mundinho. Assim como podemos acelerar partículas a energias próxima a 1 Tev e explodir bombas nucleares, podemos muito bem chegar ao absurdo de tornarmos a nossa vida na Terra insustentável. Tomando com pressusto que está na essência de todo ser vivo lutar pela sua permanência, é indispensável pensarmos sobre o fator reciclagem. Portanto, peço a todos que lembrem-se sempre das "caixas mágicas que engolem papel" do DF. É o ato mínimo que aos poucos torna-se muito. Lembrem-se também dos pobres latões esfomeados por lixo que encontram-se próximos da editora da UFPE (aceitam metal, vidro, papel e plástico) e das novíssimas lixeiras instaladas na saída da biblioteca do CCEN. Se possível, promova a coleta seletiva na sua casa! Na minha não deu certo por questões paternas... Mas de vem em quando eu tomo a atitude de selecionar o meu lixo. Dias como o de hoje em que acordei com espírito empreendedor.

Aproveito também o ensejo para alertar aos amigos do DA e de todo DF para um tipo de lixo que me deixa agoniado de ver aos montes nos lixeiros do DF: os copos de plástico dos bebedouros. Todos os dias compra-se copos para serem utilizados apenas uma vez por cada pessoa, atolando os lixos de copos que chegam a transbordar da lata no final do dia. O DA poderia propor ao chefe do departamento que os funcionários colocassem um lixeiro apropriado para os copos (talvez um lixo só para plásticos), aproveitando, assim, a "moda" lançada pelas caixas coletoras de papéis. Outra solução, a qual eu mesmo tento seguir, é a de levarmos sempre uma garrafa de plástico com água de casa a qual podemos reabastecer nos filtros. Assim, economizamos copos e um pouco da água dos garrafões do DF. Enfim, está aí a proposta. Mas do que uma promessa, espero que possamos fazer dessas ações reguladoras um hábito.



sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Rimas Refletidas

Chove no lago
Ondículas circulares perfeitas
Interferem quase nada
Não se violam, porém:
Permanecem intactas
E seguem linha reta, radial

Fica radical
Turbulência nas lágrimas
Que caem do além
Forma-se figura animada,
Gotas mal feitas
De todo lado.

Tudo parado
Tudo segue mesmas receitas:
A imagem espelhada
Daquilo que vai e vem,
Pessoas feito máquinas
Não notam o normal.

É gravitacional,
Com consequências ópticas,
A motivação de quem
Cai, feito ameaçada
Seguindo as primeiras
Sobre o que surgir morgado.

O lago morgado de todo lado parado
E as primeiras receitas perfeitas feitas:
Ameaçada nada! Espelhada e animada
Como quem vem do além, porém
Como lágrimas ópticas: máquinas intactas!
Radical! E a gravitacional segue normal radial...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz 2008!

Falta pouco menos de 2h30 para romper o ano novo aqui em Recife. Muitos fazem uma reflexão do ano que está se findando, muitos já estão refletindo no próximo ano, fazendo planos e promessas e muitos não estão fazendo nada. Na verdade, tudo isso é bom :)! Refletir o passado para fazer o balanceamento de tudo o que foi feito, é relevante. O que fizeste no ano que está se findando? Qual foi o saldo das suas atividades? Fizeste mais coisas ruins ou coisas boas? Suas ações contribuíram para seu crescimento ou para te diminuir? E os outros? As pessoas que te rodeiam. Será que elas cresceram com a sua companhia? Ou só má impressão de ti? Essas perguntas tu podes fazer. Na minha adolescência escutei uma frase que nunca esqueci, ela diz: Quem esquece o passado corre o grande risco de voltar para ele.

Refletir o futuro é igualmente relevante. Mas com o passado já refletido, se tem um norteamento, uma noção, para onde se quer ir ou para onde não se quer ir. Pois bem, o que é que esperas para 2008? Repetir as mesmas coisas de 2007? Ou ir a um patamar superior? Certamente a segunda opção. Mas para se ter sucesso na vida dois personagens são relevantes nessa saga. Tu e os outros. Sim, as pessoas que te rodeiam. Elas são essenciais no seu sucesso em 2008. Desde pequeno eu aprendi uma coisa que resume o caminho do bom relacionamento entre as pessoas, isto é, o caminho das pedras. Duas frases que diz a mesma coisa: "O que não quer pra si, não dá aos outros" e "Amai o próximo como a ti mesmo". Na verdade, a segunda é bem mais abrangente que a primeira, já pensou? Posso dizer que a primeira é um corolário da segunda. :P

E o não fazer nada? Em algum momento da vida fazer nada é fazer tudo!!! De vez em quando seu sistema anatômico precisa hibernar, repousar, fazer nada. Veja, isso é de vez em quando viu seus malandritos.

Eu acabei de receber uma mensagem de felicitação que diz: "Em 2008, desejamos que você tenha tempo pra levar seus filhos na escola, que consiga combinar aquele encontro com os amigos, que passe um dia inteiro na praia, que termine aquele projeto que está na gaveta, que faça aquela viagem sonhada, que possa fazer suas compras sem pressa. Enfim, desejamos que 2008 seja melhor que 2007."

É isso e muito mais que todos nós do Interferência Construtiva desejamos para os nossos leitores e suas famílias. Em resumo posso dizer que as interferências da vida sejam mais construtivas de que nunca!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

...e o que você fez, seu malandritos ?

Então é Natal e nós tamo aí. Eu juro que esperei até o último minuto que alguém tomasse a iniciativa natalina aqui no blog. A turma anda meio devagar e traumatizada pelos posts quilométricos de outrora. Pelo visto, sobrou pra mim... serei muito breve. Eis que estou de férias e aqui no Caribe a taxa de bancada vale ouro. Por falar em ouro, um fanfarrão dos Reis Magos extrapolou a cota combinada e deu OURO de presente, enquanto seu desafortunado companheiro repassou uma 'mirra' do natal passado. Assim, surgiu a falta de noção nos amigos secretos. Se o Rei Mago pode... é nozes. Repassei este ano sem o menor peso na consciência aquela camisa GG. E você, passa ou repassa ?

Essa é a época de todo mundo comprar roupa nova e ficar pagando de bacana no jantar da família. Eu vi na TV uma receita de panetone com pitadas de ouro comestível na cobertura. Tem tia que adora bolar e mandar fazer essas paradas. E, como a bolação não tem limites, tem gente que finge que já comeu isso antes e tem a cara de pau de dizer que prefere 24 quilates porque 18 é meio amargo. Só me diga pra quê se fazer de bacana se, quando chegar em casa, vai tudinho pegar o filtro de café e garimpar na privada de 4 horas da manhã em busca daquela pepita ? Tá pensando que engana quem ?

Se Papai Noel existisse, o nome dele seria Sérgio Rezende. Vocês têm que pedir a benção toda vez que ele passar no corredor. Fundou o departamento e agora aumenta nossa bolsa sempre que possível para financiar nossos drinks no Caribe. Isso aih Papai, mostra pra eles ! Pena que ele não vive o cotidiano do departamento... e foi num desses dias comuns, num seminário de sistemas complexos, observando o professor Ricardo Emanuel, que eu pensei: por que ninguém se veste de Papai Noel aqui no DF ? Seria perfeito colocar um saco nas costas e distribuir dois quilos de maracujina para o corpo docente. É claro que um quilo desses já tem dona. Ei, dispense... vocês sabem dizer se os professores lêem esse blog ?! Cuidado aí , se contar pra Mauro, ele vai espalhar no Comgrad, na Compg, e minha pós sanduíche vai ser na Lituânia... acho melhor assumir um pseudônimo. Você também é joselito e tirou muita onda de professor esse ano?

Debaixo da abóbada celeste, jaz um ser de luz e uma pergunta que não quer calar. O que você fez , seu malandritos ? Tirou muita onda? Copiou muita lista ? Solucionário até o talo ? Vídeo game no DA ? Se liga, rapá !

Feliz Natal, Brasil.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

"Todas as vezes que nós brigamos a culpa não foi minha"

Primeiramente, gostaríamos de saber: quem é o culpado por iniciar uma briga? A resposta pode ser rápida e clara se formos pragmáticos: o culpado é quem se sente ofendido e ofende em resposta. O impulso, a causa inicial que dispara a fagulha pde ser de dois tipos: o intencional e o não-intencional. Por vezes dizemos coisas aparentemente inofensivas para nós sem nos dar conta da ofensividade do ato, já que a resposta ao impulso é completamente subjetiva nesse caso. Cabe ao ofendido decidir se tal insulto foi intencional ou não-intencional. Como, por exemplo, quando uma pessoa esbarra em alguém na rua ou no ônibus. É pouco provável que tenha sido intencional dadas as condições de pressa e aperto nos respectivos casos. Entretanto, uma pessoa num estado de mau-humor, numa fila ou num jogo de futebol, pode levar tal ocasionalidade como insulto intencional e acabar provocando uma briga. A tendência da pessoa que provocou o insulto é variada, também, pelo seu estado de espírito. Daí concluímos que a amenização ou obstrução da briga se dá quando, de forma lúcida, uma das partes decide abdicar do seu direito de resposta diante de uma causa maior: o bem-estar de ambas as partes. Tudo isso descreve o que podemos chamar de insulto não-intencional ocasional, isto é, o que acontece por acaso.


Entretanto, existe uma outra classe de insulto não-intencional de insulto não-intencional por neglicência. Esta classe de insultos se dá principalmente entre aquelas pessoas que se conhecem e convivem diariamente. Dada a convivência diária, além dos limites impostos sobre o ambiente de convívio e a privacidade de cada um, existem casos em que as pessoas sentem a necessidade de expressar sua opinião sobre escolhas e atos dos outros indivíduos motivados pelas mais diversas causas subjetivas. Por vezes, tais opiniões consistem em um insulto, interpretado como intencional ou não, forçando a pessoa ofendida a se defender de alguma forma para evitar tal sensação desagradável. É a sensação desagradável do insultado que domina nesses casos. Dado o contínuo convívio, cabe à pessoa que fez o insulto, apesar de não-intencionalmente, apaziguar a situação e evitar tais tipos de comentários. Não ter a sensibilidade para entender quais tipos de afirmações podem ser insultos, mesmo depois de uma certa convivência, consiste o núcleo do insulto por negligência. Apesar de ter sido avisado pelo insultado sobre o seu desprazer com o comentário, o insultador peca por não refletir sobre suas ações e evitar o conflito. Pode-se argumentar que o insultado é pessoa complicada, que tal tipo de opinião é muito branda e singela para ser taxada como insulto. Daí clama-se o apelo de ambas as partes. Se o objetivo do insultador é não nocivo, mas, pelo contrário, edificante e bondoso, este deve procurar outras formas de opinar sobre as ações do insultado de forma que este não sinta-se ofendido. Por outro lado, cabe também ao insultado ter a sensibilidade de perceber a não-intencionalidade do colega (ou interpretar dessa forma), e procurar refletir sua ojeriza diante de tal tipo de opinião e tirar conclusões amenas sobre o caso.

Em quaisquer dos casos acima de insulto não-intencional, fica claro que a extinção do conflito deve vir de ambas as partes. É difícil argumentar em linhas gerais quem seria o culpado neste tipo de briga, se o insultador, por achar seu comentário banal, ou se o insultado, por não refletir sobre a não-intencionalidade do insulto. Ambas as partes estão sendo egoístas nesse momento. Ainda mais, dado que a classificação de culpabilidade entre insultador e insultado é amplamente subjetiva, é egoísmo igualmente, perguntar-se quem iniciou a briga! Fazer-se tal questionamento é negligenciar a sensibilidade do próximo, sendo um ato que pode gerar até mais briga. Até mesmo na classe de insulto intencionais, pode-se argumentar que a pessoa insultada está sendo igualmente egoísta por não procurar apaziguar a briga e fazer o melhor para ambas as partes. Portanto, é realmente difícil saber quando se faz necessária a postura defensiva da parte insultada.

Na realidade, boa parte das brigas poderiam ser resolvidas se o insultado considerasse todos os insultos, mesmo os mais perniciosos, como edificantes. Que tem ele a perder com isso além do seu precioso orgulho? De fato, vários problemas sociais e políticos poderiam ser resolvidos se as pessoas engolissem seus orgulhos e simplesmente tentassem entender umas às outras, as idiossincrasias de cada ser. Por mais cético e ateísta que eu seja, não posso deixar de citar Jesus que estava muito certo em dizer: "Amai aos outros como a ti mesmo". Em face da briga, meu pai fez-me ver mais claro...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Nem 8 nem 88...

Caro Domingos, eu até que não arranjei tanta confusão por escrever; por sentir falta, vou cair no erro de discutir religião...

Estava aqui a ler e reler postagens e comentários e lembrei que havia prometido responder à postagem "E a Morte" que Eliasibe escreveu pelo dia de finados (para ver, a promessa está listada entre os comentários). Minha última postagem escrevi depois de ler algo que eu não concordava tanto e queria colaborar na discussão. Agora venho em missão idêntica.
Aconteceu que um de nossos colegas de departamento comentou a postagem de Eliasibe com uma ênfase tão grande que não deixei de tentar ver as coisas dos dois lados da moeda. Mas a postagem de Eliasibe nem teve tanto cunho religioso quanto aparentava ao leitor do comentário. Pregação? aff e olhe que eu quase odeio isto! Mas de pregação houve nada(...)! Eliasibe disse apenas que a religião tem alguma importância.

A ciência tem como objetivo estudar a natureza em todos os limites termodinâmicos (rsrs, é que acabo de sair de uma prova de mecânica estatística). Não podemos taxar eventos sobrenaturais como sobrenaturais, a meu ver, se não tivermos pleno conhecimento prévio dos comportamentos que a natureza tem sobre estas circunstâncias. Quem não teria antes dito que a supercondutividade não seria um fenômeno sobrenatural? Aliás, por muito tempo filósofos atribuíam alma à magnetita e aos objetos eletrizados, estou errado?
Eliasibe foi equivocado, eu concordo, em dizer que a ciência não ajuda em assuntos referentes à morte e à consciência, a existência do espírito, etc... A ciência não objetiva estudar estes eventos. Aliás, muitos cientistas terminaram suas vidas pesquisando estes temas (lembro de ter lido a tempos atrás que Sir Isaac Newton escreveu livros de cunho religioso e no final da vida se reservou apenas a religião - Filmes relatam sua participação em organizações religiosas por acaso?) sem, no entanto, misturar com o estudo objetivo da natureza e, quando misturavam, esta colaboração era espontaneamente rejeitada.
A religião, em relação à ciência, tem um papel relativamente diferente: confortar a alma da criatura de alguma maneira, mesmo que seja com uma filosofia barata como em muitos casos. A ciência tem uma responsabilidade diferente: de ser objetiva, reproduzível e representar a natureza. Mas o homem é apenas um, tem apenas uma mente e deve organizar tudo de forma coerente. Suas crendices religiosas e suas crendices científicas (porque tem muita coisa na natureza que se acredita sem questionar, também!) devem estar em acordo e, sinceramente, eu procuro que as MINHAS estejam (pelo menos em minha mente).
Descartes era um cara sábio, embora um tanto antisocial. No "Discurso do Método" ele nos introduz o método científico, mas é nas "Regras para a Direção do Espírito" que as regrinhas do método são nitidamente encontradas. O cara duvida de tudo, pois não pode provar nada sem ter antes que conceber algo que alguém o tenha dito antes (a informação está verdadeira?) em seguida ele percebe que tudo pode estar errado e pode tudo ser uma grande farsa (até a própria existência). Assim ele concebe que não pode duvidar que ele está duvidando, ou seja, que ele está pensando. Então tem algo que é verídico: a dúvida existe. Ele logo induz que deve haver, necessariamente, alguém que está tendo a dúvida, alguém que a pensou. Logo se ele pensa, ele deve existir... Até aí nada de novo, mas o que quero destacar é que imediatamente depois de uma discussão semelhante à exposta ele procura PROVAR A EXISTÊNCIA DE DEUS usando o seu método indutivo-dedutivo!!! Ele também achava que suas crendices religiosas não deviam entrar em desacordo com suas crendices científicas (chegando ao ponto de misturar os temas).
Religião o que é? Me peguei pensando nisto principalmente quando imaginava uma maneira de aumentar a carga horária de física nas escolas do ensino médio, pois no meu tempo havia uma disciplina com esta nome e ela tratava de coisas sociais, de formar um cidadão respeitador que esteja ciente de seus direitos e deveres e que se mobilize para garantí-los. Religião, em minha concepção, é algo muito mais grandioso que ir à igreja e acreditar em (D-d)eus(es): é acreditar nas outras pessoas, no social, nos feitos e desfeitos das outras pessoas; é se conceber como parte de um todo na humanidade e participar. Religião é uma forma de vida... Mas, senhoras e senhores, o que é a ciência senão isto? É uma filosofia que acreditamos que esteja correta porque nos provaram (...), mas uma religião que prova tudo o que diz deixa de ser religião? Acho que viver de domingo a domingo no departamento de física nas semanas de provas e rejeitar, por este motivo, milhares de convites de eventos e distrações é uma forma de vida também. É a forma de viver de muitos cientistas, é algo religioso...
A verdade... A verdade é o problema de tudo. Os cientistas provam as coisas, seguram "com as mãos" e chegam até a controlar localmente a natureza para verificar suas teorias; eles sabem que aquilo é verdade: vêem e sentem com os próprios sentidos. Os religiosos crêem com fé inabalável, irracional (ou não) e percebem que recebem os frutos de uma vida tranquila; eles sabem uma verdade. O problema é que os cientistas ficam deprimidos quando sabem que milhares de outras pessoas não se interessam em ver e sentir o que eles sabem e sentem e os religiosos ficam loucos para mostrar toda a grandiosidade da vida que levam a todos. Acabam não se batendo... Os religiosos afirmam que os cientistas são orgulhosos que se crêem acima de todos (não notando eles, porém, que esta afirmação só poderia sair de um orgulhoso que se crê acima dos outros...) e os cientistas desprezam os religiosos porque eles são endurecidos às observações óbvias e às engenhosas racionalidades que o homem pôde construir (sem notar contudo, que suas vidas muitas vezes são regidas por uma correria grande e um mata-mata [de quem chega a obter um efeito antes] que nunca aproveitam o que constroem eles mesmos em suas vidas; eles privilegiam o estudos das grandes e complicadas coisas fechando, diversas vezes, os olhos para as pequenas e simples coisas da vida; ficam endurecidos às coisas religiosas...). Nem 8 nem 88, please!
Espero que tenha chegado ao ponto, devido à coerência, de poder dizer que religião é essencial ao ser humano, embora tive que alterar o sentido fragilizado e comum dado à palavra... Essencial tanto quanto ciência, digo agora. Por que não se discute religião? Porque compreende modos normais de vibração de cada pessoa e cada um tem o seu! Porque inclui gostos e formas de ver que dependem da experiência prévia de cada um e isto é pessoal: religião é pessoal. Ninguém tem a mesma e exata concepção sobre qualquer que seja a idéia, ninguém pode ter a mesma religião neste sentido. O que vemos e que chamamos de igrejas e seitas e doutrinas nada mais é que o campo externo H que "magnetiza" as pessoas de forma que as idéias para elas fiquem o máximo possível alinhadas, o máximo possível igualmente distribuídas. Mas existe um campo intríseco devido principalmente aos "vizinhos mais próximos" que também participa do hamiltoniano total do sistema... Esta influência da interação "pessoa-pessoa"(analogia com a interação dipolo-dipolo) pode ser diminuída tanto quanto podemos chegar ao zero absoluto de temperatura, ou seja, sempre existe uma interação nossa, pessoal e intransferível. Note que existem várias formas de interagir com o campo externo H!! Você pode ser uma criatura "diamagnética" e rejeitar influência do campo, magnetizar-se-á em outro sentido; ou você pode ser uma criatura "ferromagnética" e se magnetizar aumentando o campo externo. Existem ainda algumas outras formas de interagir com ele... Assim você pode rejeitar a idéia que as igrejas lhe oferecem, entrar e participar propagando a doutrina ou pode interagir de outras formas.
Eu poderia, antes de escrever este texto que até ficou grandinho, simplismente ter ignorado o comentário de nosso amigo do DF como eu aconselharia, por sinal; mas o tema me interessa (deu pra notar?) e eu queria dar meu parecer sobre estas coisas. Na verdade este é um motivo meio distorcido, porque a verdade é que achei o comentário muito forte para aquela postagem que me pareceu algo do tipo "ah! não vamos deixar o dia de finados passar em branco...". No ensino médio minha professora de religião (ou terá sido de filosofia? se eu me lembro disso deve ter sido das duas matérias, rsrs) me disse que havia duas formas de criticar (ah! me lembrei, a professora de português também chegou a comentar): uma destrutivamente e outra construtivamente... Rapaz, no comentário houve até uma sugestão de suicídio!!! Isto não é, certamente, uma forma construtiva de se criticar... Acho que o nome do blog deixa bem claro quais as interferências que queremos ter aqui. Venho solicitar que este nome sabiamente e democraticamente escolhido venha ser considerado desde então.
Agora pra finalizar ao estilo Fábio: É provável que você leia o meu texto e se "magnetize" com ele. Mas a probabilidade que seu comportamento seja "diamagnético" ou "ferromagnético" depende de sua religião, rsrs.
Grande abraço a todos.

domingo, 18 de novembro de 2007

Seguindo a Canção

Na última linha do meu post anterior eu disse: "Mas talvez também seja igualmente provável que alguém venha a discordar dele (do post)...". O texto abaixo é uma comprovação das minhas expectativas :) Ótimo texto, por sinal. Novamente, um Tiago vem e toma a frente. E, novamente, venho eu a seguir a canção... (Ad infinitum?)

Pois bem, estou aqui para esclarecer o que eu quis dizer com "controle" no meu texto. Basicamente, eu disse que mais informação significa menos controle do indivíduo sobre essa gama de informações e não sobre como a informação disponível pode ser usada para "controlar" os desejos das pessoas. Pois é, essa interpretação apresentada no texto de Tiago veio por dois motivos, creio eu: pelo caos e pela minha falta de controle. Falta de controle, pois eu não explicitei corretamente o que eu queria dizer (coisa provável dada a quantidade de pensamentos na minha cabeça na hora e, também, na quantidade de sono) e, dada essa falta de controle, o "caos" da cabeça de Tiago, ou seja, sua criatividade, o fez escrever este belo texto abaixo. Além disso, com controle eu quis dizer gestão da informação, isto é, seleção do que se lê, do que se ouve e do que se vê. Enfim, coisa que todo ser humano faz normalmente. Mais controle significa refinar essa gestão para descartar conclusões logicamente inconsistentes e até mesmo as consistentes sem aparente referente real (leia-se "besteiras" e vide texto de Domingos abaixo). Mais controle significa saber classificar melhor a informação para que possamos avaliá-las nos seus devidos contextos ou, até mesmo, extendê-las para que funcionem em outros contextos. Por fim, mais controle significa uma postura crítica diante das informações recebidas e, a meu ver, este é um dos principais objetivos do que chamamos de educação. Portanto, no sentido acima descrito, educação é controle.

Em suma, o que eu quis dizer com a minha ressalva sobre a visão otimista do mundo tem conseqüências similares à conclusão do post logo abaixo. Não adianta haver mais "estados acessíveis" se não há uma melhor gestão da informação, i. e., se não há educação. Realmente, hoje em dia há menos controle social, no sentido que Tiago falou, e, assim, o "caos" permite que um ou outro gato pingado possam melhorar sua condição econômica e social. Entretanto, essas flutuações só fazem sentido quando há controle individual no sentido exposto acima. Quando, por exemplo, uma pessoa pobre, por influência da escola e de programas sociais, tem contato com pessoas que lhe fazem ter mais controle sobre sua vida e sobre seus estudos, que lhe mostram que se ela controlar seus impulsos para as drogas e para o crime ela terá uma vida melhor, que ela deve usar camisinha, etc. Isto é simplesmente a base daquilo que chamamos vida. Vida é uma inesperada ordem (controle) acima do caos (desordem). A vida é a demonstração que mesmo sistemas bastante complexos, aparentemente caóticos (desordenados), têm uma ordem implícita. Esta ordem exige gasto de energia e, portanto, exige controle. Agora, até que ponto somos conscientes e senhores desse controle é uma questão muito relevante para as pessoas que pesquisam a origem e os caminhos da vida. Tais fatos não contradizem a 2ª lei da termodinâmica, pois o que importa é que a entropia não aumente em sistemas isolados. No nosso cérebro e no nosso corpo ela pode diminuir, pelo menos localmente. O problema é que à medida que se organiza num lugar, em outro tende a se desorganizar (dissipação de energia).

Dadas essas considerações, uma visão otimista do mundo é razoável se for uma tendência natural do nosso cérebro (leia-se seres humanos) tender a preservar a espécie. Vale ressaltar que quando nós falamos sobre o mundo caminhar para um lugar melhor significa um lugar melhor para todos os seres humanos. Só que isso não é tão claro para a cabeça de alguns seres humanos que detêm o controle político, mas não necessariamente o devido controle mental (leia-se George W. Bush). Portanto, se a tendência natural da maioria dos seres humanos for lutar contra as injustiças, lutar contra a desinformação e em favor de uma gestão crítica da informação, estamos salvos e a tendência à desordem do mundo será benéfica no sentido que as pessoas naturalmente farão as melhores escolhas. Mas, e se isso não for verdade? Vamos esperar sentados? Faz parte dessa dúvida sabermos e discutirmos qual o melhor caminho que o mundo deve tomar. E isso exige controle e exige crítica aos outros e a nós mesmos. Essa é a base da democracia, aceitarmos as críticas dos outros e analisá-las para que possamos fazer nossa auto-crítica. Nesse sentido, democracia também é controle. E é justamente isso que estamos fazendo aqui agora neste blog: exercendo nosso direito de concordar, discordar e, principalmente, de somar. Novamente, essa é a base da democracia e da soma caótica de nossos seres: os otimistas e os pessimistas (ou seja, todo mundo). No final, espero que essa soma convirja para a continuidade pacífica da espécie.

Concluo este meu texto com uma idéia que vi pela primeira vez no colóquio que homenageou os 60 anos do Prof. Maurício Coutinho, grande cientista e um dos principais responsáveis pela existência do nosso atual departamento de Física. Apesar dos pesares, ele é um sujeito a quem devemos prestar homenagens. Maurício citou que sua maneira de encarar a vida é muito parecida com a expressada por Norberto Bobbio, filósofo político italiano, ativista do social-liberalismo, que dizia mais ou menos os seguinte: "o “homem de Razão” tem o dever de ser pessimista (o pessimismo temeroso da inteligência) e o “homem de Ação” tem a obrigação de ser otimista (o otimismo esperançoso da vontade)" (adaptado de Gramsci e o Brasil). Portanto, eu não creio que o mundo vá se tornar um lugar melhor por mera estatística. Eu tenho uma certa esperança que o mundo se torne um lugar melhor, mas prefiro acreditar que o mundo só vai tomar esse caminho se agirmos de forma compatível com essa esperança. Portanto, prefiro ser intrinsecamente crítico em vez ficar especulando se a coisa naturalmente andará para onde eu gostaria que fosse. Muitas vezes as pessoas confundem sonhos com realizações. Na prática, apesar dos textos, acredito que vocês, meus amigos, principalmente o pessoal do D. A. que está trabalhando para melhorar a realidade do nosso curso, são críticos e agem com otimismo. Não importa tanto em como você acredita na idéia se você a põe em prática.

Pra finalizar, deixo uma frase do filósofo grego Aristóteles e, com ela, fecho um ciclo voltando ao que Domingos disse no seu último post e à idéia inicial de Tiago Aécio quando dizia que na média tomamos escolhas certas. Na média, faremos o mundo um lugar melhor desde que ajamos em ressonância com o seguinte pensamento:

"Excelência é uma arte conquistada pelo treino e pelo hábito. Nós não agimos certo porque temos virtuosidade ou excelência, mas preferencialmente as temos porque agimos certo. Nós somos o que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um ato isolado, mas, sim, um hábito.”

Façamos, então, este tipo de discussão crítica um hábito!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O Caminhar do Mundo...

Seja S a entropia de um sistema, K a constante de Boltzmann e W o número de estados acessíveis deste sistema...
S = K ln W
(A entropia cresce logaritmicamente com o número de estados acessíveis)

Bem, chego timidamente e receosamente (visto que as postagens anteriores foram grandiosas) para discutir a deixa de Fábio sobre o caminhar do mundo. Às vezes creio que os tempos anteriores eram diferentes: muito mais organizados, muito mais interessantes onde a população era mais respeitosa e coisa e tal; mas refletindo bem, depois de uma poderosa conversa no blog sobre estatística, imagino como as coisas foram de fato: organizadas e muito mais respeitosas que hoje (rsrs)... Mas o que pretendo aqui chamar atenção é que a atualidade está certamente muito melhor que outrora.

É certo que "é mais fácil soltar bombas em outros países, acreditar em coisas falsas e é mais provável nos contradizermos, pois há muito mais informação acessível do que antigamente e mais informação significa maior complexidade e menos controle". É isso mesmo! Isso se chama Entropia!!!! O sistema está mais caótico que antigamente e isso é uma lei da natureza, tem que ser assim...

Podemos fazer alguma previsão para o futuro? O futuro é mais caótico que hoje, certamente... Mas esta frase influencia a mente de leitor. Mais caótico significa que criaturas com condições iniciais muito próximas podem chegar a lugares muito diferentes (podem se afastar exponencialmente). Antigamente, nasceu escravo morreu escravo... Mais caótico é melhor!

Foi citado que as informações estão mais acessíveis, aqui creio certa a maneira de encarar a idéia (fazendo o resumão): o número de estados acessíveis aumentou (e seu logaritmo aumenta junto, rsrs ) e isso certamente é algo bom. O caos, o número de estados acessíveis, a entropia aumentou e isso significa que temos muito mais opções que antigamente e temos mais probabilidade de atingir pontos remotos às condições da vida atual.

Mas e o controle? A idéia do controle não é fundamental e muito menos democrática. A democracia respeita o cidadão e todas as suas escolhas (desde que não interfira destrutivamente com a vida dos outros - bem... É por aí!!) e não tem interesse, ao menos como idéia, de controlar as coisas. Seria ingenuidade dizer que controle não é importante, principalmente na atualidade; mas penso que controle não é importante ao menos em uma sociedade futura muito mais caótica, onde não se tem interesse de restringir a acessibilidade de algum cidadão.

A veridicidade depende do querer saber. Se você quer de fato se informar sobre alguma (não dada) informação você deve pesquisar e procurar entender as leis que regem a dinâmica da idéia, não simplesmente aceitar. Mas o querer depende da educação, pois as pessoas precisam entender o funcionamento das coisas e saber porque querer o que se quer, não meramente querer por querer e a educação ainda resolve o problema do respeito... O que queria destacar é que a democracia estaria se desenvolvendo muito mais se deixasse de investir no controle e na estabilidade das massas e investisse em educação (mas aí vem Messias e pergunta sarcasticamente: "Educação não é controle?", creio que depende da intenção do educador, mas deixemos esta discussão para depois) para toda a população, haveria tendência a um equilíbrio térmico e o caos esclarecido poderia ser a solução de todos os problemas sociais.

Ei, Sobral!

Perdeu.

E uma Brincadeira...

Eu quero a postagem coesa mais curta!